Bancos com maior reserva contra calote

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BRASÍLIA (BDCi) — O lucro líquido dos bancos recuou 3,6% nos doze meses encerrados em junho deste ano, quando somou R$ 55,8 bilhões, informou o Banco Central nesta terça-feira (2) por meio do relatório de estabilidade financeira do primeiro semestre deste ano. No ano passado, segundo a autoridade monetária, o lucro líquido dos bancos totalizou R$ 59,4 bilhões.

“O aumento das despesas de provisão [reservas em função da alta da inadimplência] em ritmo superior ao crescimento da carteira de crédito foi o fator que mais contribuiu para a queda na rentabilidade do sistema bancário. As despesas de provisão aumentaram R$ 11,4 bilhões, o que ampliou seu efeito negativo sobre o resultado de intermediação financeira. Destaca-se que, desse montante, R$ 9,8 bilhões estão concentrados em instituições privadas, que possuem carteiras com maiores índices de inadimplência”, informou o Banco Central.

De acordo com o diretor de Fiscalização do BC, Anthero de Moraes Meirelles, os bancos brasileiros nãos são os mais rentáveis do mundo, assim como também não são os menos rentáveis. “Estamos em um processo de queda dos juros, mas ainda não observamos nada em termos de rentabilidade dos bancos. A gente acredita que com taxas mais baixas, há um estímulo maior ao mercado de crédito. Mais pessoas se dispõem a pegar crédito com taxas de juros mais baixas. A gente imagina que o mercado vai se adaptar, investir em sua principal modalidade, que é o mercado de crédito”, declarou ele.

Spread ficou estável

A autoridade monetária observou também que, devido à maior participação de operações pós-fixadas [atreladas à variação dos juros básicos da economia, que estão em queda desde agosto do ano passado] no passivo dos bancos – ou seja, recursos que eles têm a pagar –, o custo de captação sofre forte interferência de variações da Selic.
Por outro lado, as operações de crédito são predominantemente prefixadas e possuem prazo médio superior a cinquenta meses – assim, as reduções nas taxas de juros têm impacto reduzido sobre os ganhos. Para o futuro, porém, o BC avaliou que o cenário de queda dos juros básicos da economia apresenta desafios para bancos.

“Dessa forma, os cortes sucessivos na meta para a taxa Selic, a partir do segundo semestre de 2011, provocaram declínio mais acentuado nos custos de captação do que na renda das operações de crédito e, como consequência, a diferença entre as taxas de operação de crédito e de captação permaneceu praticamente estável nos últimos doze meses, passando de 10,9% para 11% ao ano”, informou o BC .

Bancos públicos e privados

O BC nota ainda que houve “comportamentos distintos” entre os bancos privados e os públicos. Os bancos privados, de acordo com a autoridade monetária, reduziram seu custo de captação em 0,6 ponto percentual no primeiro semestre deste ano., enquanto a renda de suas operações de crédito declinou apenas 0,3 ponto percentual (de modo que não houve repasse integral da queda do custo de captação).

Isso gerou, de acordo com o BC, aumento na diferença entre as taxas de juros cobradas dos seus clientes e o custo de captação dos bancos privados. “O efeito dessa elevação sobre o resultado de intermediação financeira do segmento privado foi, no entanto, encoberto pela redução no ritmo de concessões e pelo aumento das despesas de provisão”, informou.

No caso dos bancos públicos, acrescentou a autoridade monetária, eles reduziram a diferença entre taxas de operação de crédito e captação. O que o BC quis dizer é que as instituições públicas repassaram, com mais intensidade, os cortes dos juros básicos da economia no primeiro semestre deste ano. “Não obstante, o efeito dessa redução sobre o resultado de intermediação financeira nos bancos públicos foi amenizado pelo aumento de sua participação no volume de crédito concedido”, acrescentou.

Por: Ubiratã Farias
Fonte: g1.globo.com
Foto: valor.com.br
Data: 02 de outubro de 2012, 05h58 p.m. PST

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