O ano de 2014 tem sido de emoções para Cristiano Ronaldo. O fenômeno de 29 anos, 1,85 m e 79 kg ganhou pela segunda vez o título de melhor jogador de futebol do mundo pela Fifa, levou o time pelo qual joga, o Real Madrid, da Espanha, à marca inédita de campeão pela décima vez da Liga dos Campeões da Europa e foi capitão da seleção de Portugal na Copa do Mundo no Brasil.

Mas alguma coisa está aborrecendo Cristiano Ronaldo. Do alto da arquibancada, pode-se ver a inquietação nos olhos dele. Colegas de clube chamam Ronaldo de “O Ansioso”, e ele certamente parece ansioso nesse dia em que a MH acompanha o treino do Real Madrid. Alguma coisa está diferente, um desconforto, uma fisgada, uma pontada nas fibras musculares de contração rápida da coxa. Ronaldo e seus colegas de time, um elenco de 260 milhões de dólares em astros como o galês Gareth Bale, o espanhol Sergio Ramos e o lateral brasileiro Marcelo, pisaram no gramado impecável do centro de treinamento de Valdebas, em Madri, e começaram a treinar para os jogos finais da Liga Espanhola 2013-2014.

Na arquibancada está um grupo de adolescentes jogadores de futebol chineses, que vieram treinar com a academia de jovens do Real Madrid. Cada vez que Ronaldo se aproxima, as câmeras deles levantam em uníssono: “Ronaldo!” Assim como os jovens do mundo todo, esses adolescentes memorizaram os movimentos, os maneirismos, os passes característicos e o ritual de Ronaldo para dar tiros livres. Os garotos tentam manter a calma, mas é um pouco como assistir àqueles velhos clipes de meninas gritando diante de um Elvis.

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Ronaldo treina com o time por meia hora, até que um preparador físico sisudo o puxa de lado e o faz passar por uma série de testes, examinando os músculos da perna esquerda, como se o jogador fosse um puro-sangue premiado com uma marcha um tanto suspeita. Quinze minutos depois, Ronaldo aparentemente foi reprovado nos testes.

Carlo Ancelotti, técnico do Real, não querendo arriscar futuras lesões no seu maior (e mais valioso) patrimônio, dispensa-o do treino. Ronaldo caminha para fora do campo, de cara feia, gesticulando em reprovação. Ele quer jogar, mas foi mandado para o vestiário e, provavelmente, para a maca de massagem. A MH vai encontrá-lo mais tarde, em uma das salas de imprensa. Depois de uma espera de uma hora, ele aparece com uma comitiva de guarda-costas e cara de mau. Caminha se exibindo, senta, recém-saído do banho, com brincos de diamante nas orelhas, cabelo perfeitamente espetado com gel. As costeletas são como lanças pretas e um relógio pesado brilha no pulso dele.

Ronaldo definitivamente é o pavão vaidoso que todos dizem que ele é — mas também pode-se ver um lado vulnerável. A lesão na perna, que irá atormentá-lo pelo resto da temporada e na Copa do Mundo, está claramente pesando sobre ele hoje. Ronaldo fez mais de 240 gols desde que chegou ao Real Madrid, em 2009, e ao longo dos anos ganhou praticamente todos os títulos e troféus que o futebol tem para oferecer. Mas ele não está satisfeito. Ele nunca estará.

Pessoas que conhecem Ronaldo dizem que ele é uma obra em progresso, que é obcecado em ser perfeito, que tem uma sede insaciável. Ronaldo não discorda. “Tento sempre melhorar”, ele diz. “Amanhã serei melhor do que hoje, e no ano que vem serei melhor do que neste. Se marco 50 gols, quero 55. Algumas pessoas dizem que sou muito sério dentro do campo, não sorrio. É porque estou 100 % focado em cada jogo. Sempre quero mais e mais.”

Não é fácil ser Cristiano Ronaldo. Sua busca pela perfeição, seu desejo de alcançar a glória mais estratosférica e a combinação poderosa de amor próprio e autocrítica o tornam um coquetel psíquico musculoso. Ele vive em um mundo que é uma panela de pressão, em parte criado por ele mesmo. Funciona no que chama de “uma adrenalina especial”. Passou boa parte da vida profissional justificando seu preço exorbitante, o que o deixou assustado, superexcitado. Aproxime-se dele e verá que é como uma orquídea em uma estufa.

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Às vezes, Ronaldo parece massacrado pelas demandas da própria perfeição. Ele almeja o nível mais alto possível e estipula metas pessoais absurdamente altas, que depois precisa ultrapassar. Quando joga, você sente que “ele está sendo perseguido não apenas pelo adversário, mas por todo mundo no estádio”, observou o colunista de futebol britânico Barney Ronay. Ninguém duvida do talento dele: Cristiano Ronaldo é amplamente considerado (junto com o arquirrival Lionel Messi) o melhor jogador do planeta, e provavelmente será tido como um dos melhores no esporte de todos os tempos. Ronaldo é um jogador completo, um homem que pode fazer tudo: é mortal com os dois pés, tem um drible hábil e inteligente, chutes intensos, movimentos que confundem o cérebro do zagueiro, seus tiros livres são magistrais e, quando tem espaço para correr, seu ritmo é quase inalcançável.

“Quando você olha para o jogo hoje, o aspecto físico é muito valorizado – velocidade, força, resistência”, disse Michael Bradley, meio-campo da seleção norte-americana logo antes do jogo entre Portugal e Estados Unidos pela Copa do Mundo, em junho. “Ele é um cara que preenche todos esses requisitos. E quando você pensa nas habilidades técnicas dele — o quanto ele é bom no ar —, sabe que pode fazer a diferença a qualquer momento.” Bradley percebeu isso aos 50 minutos do 2º tempo daquela partida, quando o passe de Ronaldo levou ao gol de empate contra os EUA. “Ronaldo não é deste mundo”, disse Jose Mourinho, técnico do Chelsea. Um “mágico”, definiu o ex-técnico do Manchester United, Sir Alex Ferguson. “Cristiano é o jogador mais talentoso que já treinei.”

O domínio absoluto que Ronaldo tem do jogo foi mostrado em seu máximo em novembro de 2013, em Estocolmo, quando Portugal tinha que ganhar da Suécia pelas eliminatórias da Copa. Enquanto os torcedores do time da casa gritavam “Messi! Messi! Messi!” — uma provocação calculada para deixar Ronaldo nervoso — ele cravou três gols brilhantes e eliminou as esperanças da Suécia de ir à Copa. Quando marcou o segundo, apontou para o campo e rugiu: “Eu estou aqui!”.

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Ele com certeza estava. “Para ser o melhor que pode ser, você tem que ter foco”, Ronaldo diz. “Treinar a mente é muito importante. Assim, distrações deixam de ser distrações. Você consegue se manter calmo se for autoconfiante. Quando mais duro você trabalhar e quanto mais estiver comprometido, mais confiante vai se tornar.”

Além do talento extraordinário, Ronaldo tem um físico esculpido que vira a cabeça das pessoas e faz patrocinadores salivarem. Nesse sentido, é um David Beckham melhor e plenamente realizado. Ronaldo não é só um excelente atleta, mas um modelo de como um grande atleta deveria ser — parece que o cara tem um abdome dentro do abdome. Mega-astro do futebol, faturou 73 milhões de dólares no ano passado. Até agora, ele vem se mantendo longe do altar, mas tem uma namorada de longa data, e absurdamente linda: a top model russa Irina Shayk.

Por outro lado, há muita gente que não suporta Ronaldo, que detesta o exibicionismo dele. Alguns não gostam do jeito como ele franze as sobrancelhas, como é sarcástico e ri com afetação. Outros, ainda, detestam suas joias chamativas, as fotos em que aparece nu, do cabelo cheio de produto. Ronaldo já foi chamado de pin-up do futebol, de glamour boy, de Sr. Ensebado, de Bebê Chorão, de Mocinha, entre outros nomes. Na maioria das vezes, no entanto, as pessoas parecem detestar Ronaldo pelo ego dele, que, na verdade, pode ser gigantesco.

Ronaldo usa caneleiras decoradas com fotos dele mesmo. Acredita que o número da sua camisa — 7 — carrega poderes mágicos. Ele tem a própria linha de underwear, CR7, com o designer Richard Chai e a marca dinamarquesa JBS. Na mansão de sete quartos no sofisticado bairro La Finca, em Madri, ele enfeitou as janelas, móveis e utensílios de cozinha com a insígnia CR7. Quando perguntam a ele por que é vaiado pela multidão, a famosa resposta é: “As pessoas têm inveja de mim. Porque sou rico, bonito e um ótimo jogador”.

Em dezembro do ano passado, em Funchal, sua cidade natal, na Ilha da Madeira, a 870 km da costa de Portugal, Ronaldo abriu um santuário para si mesmo — o Museu CR7. Esse descarado “templo para mim” é recheado de objetos pessoais, troféus, camisas e bolas de futebol assinadas e até uma estátua de cera. É claro que muitos atletas, principalmente os premiados, alimentam a autoconfiança com salas de troféus. Ao concentrar seus melhores momentos no Museu CR7, Ronaldo levou isso um nível adiante: ele está construindo sua autoconfiança com argamassa e tijolos. “Minha mãe me ensinou a sempre ser eu mesmo. Algumas pessoas podem gostar disso e outras não. Tudo bem”, ele diz. “Isso me ajudou a desenvolver um caráter forte.”

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Foi na Ilha da Madeura, nas montanhar culcânicas no Alto de Funchal, que aquele Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro aprendeu a amar o futebol. A família era pobre. O jovem Cristiano dividia um quarto com os três irmãos em uma casa pré-fabricada tão apertada que a máquina de lavar roupa ficava no telhado de chapa metálica. A mãe, Dolores, limpava casas. O pai, Dinis, jardineiro, tinha problemas com bebida e outro motivo de sofrimento: futebol.

Com o incentivo dos pais, o pequeno Cris aprendeu a jogar nas ruas estreitas perto de casa. Nas ligas juniores de Funchal ele logo se destacou. O garoto era chamado de Abelhinha, pela energia que tinha para correr pelo campo. Não suportava perder. Chorava se perdia ou se um colega de time não jogava a bola para ele. Aos 12 anos, voou para o continente para um teste na academia do Sporting de Lisboa, um dos principais clubes de Portugal. Foi sua primeira viagem de avião, e ele chorou de saudade e por causa da pressão dolorida nos ouvidos. Mas o físico esguio foi sucesso imediato. “Este é diferente”, o técnico cochichou para um colega. “Ele tem alguma coisa especial.” Então, Cristiano deixou a Ilha da Madeira e se mudou de vez para Lisboa. No início, os outros garotos da academia o provocavam por causa do sotaque da ilha. “Assim que eu abri a boca”, ele escreveu em suas memórias, Momentos, “eles começaram a rir e me imitar. Me senti um palhaço.” Mas a ascensão no clube foi rápida. Aos 17, estreou como profissional.

Alex Ferguson, do Manchester United, percebeu o garoto, que assinou com o clube pela quantia inédita (para um jogador tão jovem) de 12 milhões de libras. O menino ainda usava aparelho nos dentes e tinha muita acne. Mas Ronaldo era uma promessa tão grande que Ferguson deu a ele a camisa 7, o número da aristocracia do Manchester, vestida pelos consagrados George Best, Eric Cantona e David Beckham. Vestir o número 7, Ronaldo disse, era “uma honra e uma responsabilidade”. Em 16 de agosto de 2003, Ronaldo apareceu pela primeira vez no estádio Old Trafford, do Manchester. Como Ferguson escreveu em sua autobiografia, a torcida reagiu “como se um Messias tivesse se materializado diante dos olhos dela. O talento dele ficou evidente no ato.”

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Quando começava a crescer no time, o jovem jogador viveu uma tragédia familiar: o pai morreu de uma doença no fígado, decorrente do álcool. Ronaldo, com apenas 20 anos, ficou devastado, e é por isso que hoje bebe apenas às vezes. “Sinto a presença dele. Não consigo explicar, mas, às vezes, acho que escuto os conselhos dele”, diz.

O número 7 prosperou durante seis anos no Manchester United, marcando mais e mais gols, ajudando o clube a conquistar diversos títulos e ele próprio ganhando, em 2008, sua primeira Bola de Ouro de melhor jogador do mundo. Ferguson destaca que a maior força de Ronaldo é a mental, o desejo de correr com a bola contra todas as resistências. “Existem diferentes formas de coragem, e essa é a melhor”, disse ao jornal inglês The Guardian.

Seu período no Real Madrid — para onde se transferiu por 133 milhões de dólares em 2009 — alcançou a apoteose na temporada passada, quando o clube venceu a final da Liga dos Campeões, em Lisboa, contra o rival Atletico de Madrid. Ronaldo marcou um recorde de 16 gols para levar o time à final, embora a performance dele na partida tenha sido ofuscada pela atuação do argentino Di Maria, então colega de time, que hoje joga pelo Manchester United. CR7 marcou um gol de pênalti no final do jogo, quando estava 3 a 1 para o Real. Foi, de certa forma, um gol insignificante, mas Ronaldo chegou às manchetes mesmo assim tirando a camisa, contraindo os músculos e rugindo como o Hulk. Foi um momento típico de Ronaldo, uma demonstração de ego e emoção que muitos consideraram desagradável. Ele tinha ousado voar alto e, naquela noite, ganhou o mais importante troféu de clubes, em casa.

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Pessoas que acompanham a liga dizem que Ronaldo claramente amadureceu como pessoa e como atleta desde que chegou ao Real Madrid. “Ronaldo se transformou em um atleta experiente, um líder no campo”, fala Antonio Gaspar, fisioterapeuta de Ronaldo há muito tempo. “Ele ainda é forte e veloz, ainda tem a habilidade de fascinar, mas joga com mais inteligência e tem experiência e maturidade para aproveitar melhor os atributos.” É um momento único no auge da trajetória de um atleta quando a maturidade física está em sincronia com o crescimento emocional.

Na verdade, algumas pessoas argumentam que foi a autoconfiança raivosa e a busca de Ronaldo pela perfeição que o ajudaram a chegar ao topo. “O dia em que ele desistir de tentar ser perfeito será o início do declínio dele”, fala Graham Hunter, comentarista do canal ESPN nos Estados Unidos. “A arrogância é o combustível do brilho dele. Lidar com isso no dia a dia deve ser um inferno. A pressão pode arruinar atletas maravilhosos. Mas Cristiano usa a arrogância como se fosse um colar de diamantes da Cartier.”

>>>RESISTÊNCIA
Ronaldo corre cerca de 10 km por jogo. O fato de ele ter índice de gordura corporal abaixo de dois dígitos facilita a movimentação intensa. O português também possui fôlego de sobra: 25% dos gols do craque na temporada passada foram marcados a 20 minutos do final do jogo, quando as pernas dele parecem estar menos cansadas que as dos rivais.

O período de Ronaldo no Real também foi marcado pela intensa rivalidade. Em qualquer outra era, ele provavelmente seria julgado como a estrela proeminente do futebol. Mas o esporte assistiu à ascensão de um outro atleta no mesmo período. O argentino Lionel Messi é um tipo de jogador bem diferente de Ronaldo, com físico, estilo e personalidade distintos, ainda que o jogador do Barcelona tenha se tornado uma força dominante no futebol, ganhando a Bola de Ouro quatro vezes. O destaque e a popularidade de Messi criaram uma frustração para Ronaldo. Por anos ele tentou quebrar o feitiço do argentino, até que se cansou das comparações. É possível, admite, que os dois atletas tenham servido de inspiração um para o outro. Ele disse: “Não vou competir com Messi, mas comigo mesmo”.

>>>FORÇA
Jogadores de futebol conseguem fazer agachamento com quase 200 kg, segundo pesquisadores noruegueses. Ter quadríceps fortes é fundamental para um atacante, que precisa pular para cabecear a bola no gol. Um documentário britânico mediu o salto de Ronaldo com os pés unidos, que chegou a quase 79 cm (digno de um jogador da NBA). Isso significa que o camisa 7 consegue cabecear a bola quando ela está a 2,6 m de altura.

A evolução da maturidade de Ronaldo no campo também inspirada por um fator externo ao gramado: a paternidade. Em 3 de julho de 2010, nasceu Cristiano Ronaldo Jr. Para as milhões de pessoas da Ronaldosfera, a notícia foi excitante. Mas levantou uma questão: quem era a mãe sortuda? Irina Shayk, namorada de Ronaldo, não tinha ficado grávida.

>>>Mente
“O cérebro de Ronaldo consegue processar o jogo mais rapidamente do que o de outros boleiros”, diz Zoe Wimshurst, médica do esporte da clínica Performance Vision (EUA). Atletas de elite desenvolvem movimentos mais velozes dos olhos. Eles conseguem focar até sete pontos por segundo. Já uma pessoa comum, no máximo, cinco. Quando o atacante do Real Madrid dribla um zagueiro, fica atento às deixas de movimento enquanto recorre aos milhares de deslocamentos praticados em horas de partida — e faz isso inconscientemente.

Ronaldo pediu privacidade, mas o mundo recusou. Rumores se espalhavam nos tabloides. Quem quer que fosse a mãe, diz-se que recebeu 10 milhões de libras para ficar calada antes de entregar a guarda exclusiva. Foi como se Ronaldo tivesse, sozinho, produzido uma versão míni dele, talvez até de forma planejada. Em 2007, Ronaldo escreveu em seu livro que gostaria de ter um filho: “Se for um menino, deve ter os mesmos genes futebolísticos que eu. Não digo que gostaria de ter um clone, mas espero que nossas semelhanças sejam facilmente notadas.”

>>>VELOCIDADE
Em 90 minutos, Ronaldo dá 33 sprints a 34 km/h — a maior velocidade que um homem já alcançou é 43,9 km/h, marca atingida pelo jamaicano Usain Bolt. A aceleração e o alto QI no futebol permitem que Cristiano calcule as corridas diagonais para levar a melhor sobre os adversários. Ele também tem equilíbrio e controle corporal excelentes e pode mudar de direção rapidamente — quando está driblando, é o melhor.

Um dia de frio em janeiro de 2014, em Zurique, na Suiça, Pelé subiu no palco da apresentação de entrega da Bola de Ouro da Fifa. O brasileiro estava ali para anunciar o vencedor do prêmio de maior prestígio do futebol, dado ao melhor jogador do calendário esportivo do ano anterior. Enquanto Pelé segurava o envelope, as câmeras cortavam entre os indicados — o francês Franck Ribéry, o argentino Lionel Messi e, claro, Ronaldo, que vestia um smoking reluzente e uma gravata-borboleta. Irina estava ao lado, apertando os lábios com nervosismo. Pelé abriu o envelope: “O nome é… Cristiano Ronaldo”. Ronaldo beijou Irina e caminhou em direção ao palco para abraçar Pelé. Em seguida, Cristiano Jr., vestido com um cardigã desenhado para parecer um smoking, juntou-se ao pai.

>>>POTÊNCIA
O chute do português é explosivo. Ele consegue mandar a bola a quase 130 km/h. A técnica excepcional permite que o atleta cubra a bola com a lateral de dentro do pé ao cobrar faltas, fazendo com que a trajetória da pelota em direção ao gol adversário seja irregular — isso deixa o goleiro adversário atordoado.

“Obrigado a todos”, Ronaldo disse, afastando as lágrimas. Não havia nem sinal de arrogância nos olhos dele — ele parecia humilde e com a voz trêmula por causa da emoção. Agradeceu à família, enquanto a mãe sorria de volta, orgulhosa, enxugando o rosto com um lenço. Ronaldo ergueu o troféu para que todos vissem — uma bola dourada, destinada ao museu em Funchal. “Quem me conhece sabe quantas pessoas me ajudaram”, disse. “Se esqueci alguém, peço desculpas, porque estou profundamente emocionado.”

Por fim, pelo menos até o início da temporada 2014-2015, o feitiço de Messi havia sido quebrado. Ronaldo curtiu a adulação, mas o rosto com lágrimas se transformou em uma máscara dura e determinada. Dava para ver que ele já estava deixando para trás aquele momento de celebração. Em agosto, começou a Liga Espanhola e, em setembro, a Liga dos Campeões da Europa. Cristiano Ronaldo, O Ansioso, reencontrou duas chances para retomar a busca pela perfeição.

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Fonte: MensHealth