EXCLUSIVA: Dudu Aram – O compositor brasileiro brilhando nas telas de Hollywood

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LOS ANGELES, CA (BDCi) – Batemos um papo super legal com o brasileiro Dudu  Aram,  33,  compositor  e  produtor  musical,  que vem  lançando  diversos  trabalhos  na indústria do cinema nos últimos quatro anos nos Estados Unidos, Inglaterra e Brasil.

Dentre os mais recentes trabalhos aqui em Los Angeles está o filme “Self/Less”, dirigido por Tarsem Singh, com atuação de Ryan Reynolds e o vencedor de Oscar, Grammy, Bafta e dois Globos de Ouro, Ben Kingsley. E no  Brasil,  o  longa  “Operações  Especiais”,  escrito e dirigido pelo diretor brasileiro Tomas Portella. O longa narra a história de Francis (Cléo Pires) como uma policial novata que integra um time de policiais para operações especiais e juntos enfrentam o crime organizado e a polícia corrupta de Palmas.

 

Conhecendo Dudu Aram…

 

Aos nove anos comecei a tocar  violão depois de receber um como presente do meu pai. Sempre escutei muita música. Meu irmão tinha uma coleção de CDS, incluindo música eletrônica, e assim foi formando minha estrutura musical. Aos 17 anos comecei a tocar guitarra elétrica, e juntamente com um amigo começamos a produzir música feita com software de música no computador. Em 1997, comecei produzir musica eletrônica e virei DJ, com a ajuda do meu irmão que era organizador de festas de música eletrônica. Trabalhei em alguns dos seus eventos.

Dudu diz que não teve influência da família para seguir no caminho musical. Foi um interesse próprio de buscar e se aprofundar mais no tópico. Na verdade seu pai queria que ele fosse advogado. Ele chegou a cursar direito, porém o amor pela música falou mais alto.“Eu sabia que ia viver da música, só não sabia como” , disse o compositor.

Falando sobre música….

Eu acredito que a música está sempre mudando. Na infância era uma, na adolescência era outra e agora já mudou também. Eu escuto bastante trilha sonora. Quando eu estou compondo, eu procuro não escutar muita coisa de fora para não me influenciar muito naquele momento. Eu acho que a influência tem toda uma vida, toda uma pesquisa musical que a gente faz durante o nosso dia a dia.

O fato de eu ser DJ, me ajudou e precedeu no meu trabalho de cinema. O músico em geral, incluindo DJ, trabalha com emoções, ele constrói uma história, constrói um caminho, tem altos  e baixos. Com a música você é capaz de fazer essa manipulação na mente das pessoas. Acredito que com o cinema é igual, só que no cinema você acompanha uma imagem e uma história que já existe, você não cria essa história como um DJ cria, mas com certeza isso está muito ligado. O trabalho de remix, reedição, estrutura musical, isso tudo se aplica de uma maneira muito similar no cinema. A música faz parte do meu cotidiano em todo momento. Eu gosto muito de escutar música quando eu vou correr ou quando vou pedalar. Eu gosto muito de conhecer outras pessoas que também estão no mundo da música e me relacionar com elas para juntos fazermos algo no futuro. Eu tenho amigos músicos no mundo inteiro, e sempre que posso tento fazer alguma coisa com eles.

“ Todo mundo que é músico, tem esse hábito, gosta de fazer isso, trabalhar juntos. É aquele velho ditado que diz que a música conecta as pessoas”.

Outra coisa que posso dizer sobre a música no meu cotidiano é que tudo que eu aprendo, vejo, tudo que eu escuto, eu uso como influência, ou como material.

Dificuldades estão em todos os lugares…

Dificuldades se tem em todos os lugares. Nessa carreira se tem bastante estrangeiros, como por exemplo Hans Zimmer, alemão, Alexander Desplat, francês, o Antônio Pinto que é brasileiro, o argentino Gustavo Santaolalla, Ludovico Einaudi  que é italiano. O que interessa mesmo é se a música é boa, se a proposta é boa. A dificuldade está não no fato de ser estrangeiro mas sim no fato de você criar o seu nome. A coisa mais difícil é você conseguir uma oportunidade grande, sem ter feito algo grande. Existem maneiras diferentes para se entrar neste mercado.

Meu primeiro convite para compor a parte musical em um filme, veio do brasileiro Antônio Pinto. Ele me chamou para fazer a trilha de um documentário chamado “The Odyssey” em 2012. Já fazia algum tempo que tínhamos a ideia de fazer um trabalho com apenas material gravado nosso, coisas que não entraram em disco, material que não usamos anteriormente. O Antônio tinha bastante coisa de filme e eu de disco que estavam a nossa disposição. Então esse foi o primeiro filme que eu assinei na minha carreira, posteriormente vieram outros.

“Marca Registrada” com compositor…

Minha assinatura como compositor  é a mistura de música eletrônica com música orgânica. É misturar orquestra com sintetizadores e fazer isso soar como se tudo viesse de uma mesma fonte.

Meu estilo é muito parecido com o do Antônio Pinto, o qual considero meu mentor no cinema. E dentro de uma escala de estilo, ser conhecido como um minimalista.

Ter uma carreira profissional internacional e viajar pelo mundo fazendo música são meus maiores orgulhos. Esse sempre foi meu sonho, desde criança viajar pelo mundo. Me traz uma grande satisfação na vida.

Superando obstáculos…

A melhor forma que eu encontrei para superar meus obstáculos foi manter minha mente livre e despreocupada. E para isso eu preciso resolver todos os problemas, todas as coisas que me incomodam, sejam coisas pequenas, rotineiras ou coisas maiores. Eu sempre tenho o hábito de manter isso em ordem para ter a mente limpa para poder compor música. Tem que estar de bem com a vida, porque os obstáculos estão aí todos os dias e isso me motiva a continuar compondo, e pensar que é um passo a frente, e não é um passo novo e sim um desafio novo. O desafio no caso me traz a criatividade.

Se eu não fosse músico…

Essa pergunta é engraçada. Se eu não fosse músico, eu acredito que eu seria designer de interiores, ou algo relacionado à decoração, porque eu gosto muito de comprar coisas para casa, de decorar, escolher cores, arrumar jardim. Eu vejo uma beleza nisso. O importante é gostar do que faz. Eu jamais seria uma pessoa que acordaria de manhã e iria trabalhar em uma coisa que eu odeio. Eu acho que o mais importante em uma profissão, ou no que quer que a gente faça, é se divertir. A final a gente tem que estar feliz, sorrir para vida, sorrir para os companheiros de trabalho, gostar de trabalhar, gostar do que faz.

Califórnia…

É o estado que eu amo, o estilo de vida é muito bom, é saudável, tem praia, tem montanha, mas o que me trouxe aqui foi a música. Eu vim pra cá em 2010 e tinha a sorte de trabalhar com cinema. Aconteceu por acaso, eu sempre imaginei o cinema como algo muito distante, algo impossível de seguir. O fato de ter conhecimento, ou alguma coisa que eu não tinha não fez a diferença. Depois eu descobri que nesta profissão não tem regras. Não interessa se você sabe ler ou escrever música na teoria, ou se você toca um instrumento ou vários. O que interessa é a vontade e a atitude de fazer. Isso eu aprendi com os meus mentores. Em todos eles, é não ter limitações. As limitações não eram o problema, elas eram a chave. A chave do estilo, da personalidade artística do compositor. Quando você trabalha de perto com grandes nomes, artistas talentosos, você percebe que são pessoas normais que também tem suas limitações, e que erram também.

Gratidão…

Eu sou muito grato por ter uma carreira internacional com música e cinema. Porém eu nunca olho pra mim mesmo invocando este ponto. Na maior parte do tempo eu estou preocupado em criar, em compor em desenvolver meu aprendizado, crescer como pessoa e profissional.

Futuro….

Meus planos para o futuro é continuar compondo mais filmes, mais trilhas, mais discos, mais amigos para aprender, mais amigos para tocar, mais viagens pelo mundo com a música e sempre levando essa música para o ouvinte, afinal é para isso que eu faço música. É para transmitir sensações, e espero que sejam boas para que as pessoas vejam o filme, escutem o disco, e digam “Poxa vida, isso me causou uma emoção”, seja ela qual for. Hoje eu olho pra trás e consigo ver que já consegui fazer muita coisa que quis fazer, mas ainda quero muito mais. Ainda sou novo e espero chegar mais longe nesse caminho.

Atualmente  Dudu  Aram  está  compondo  para    o  longa  “Shotcaller”,  do  diretor  americano Ric Roman Waugh (Snitch), com estreia prevista para 2016. A história é sobre um prisioneiro membro de uma gangue, vivido por Nikolaj Coster-­‐Waldau (Game Of Thrones) obrigado a liderar um crime com sua gangue nas ruas do sul da Califórnia. A  trilha  assinada  pelo  talentoso  vencedor  de  premiações,  o  compositor  Antônio  Pinto (Cidade de Deus, Senna, Collateral, Lord Of The War, Amy dentre outros) o qual convidou  Dudu  Aram  para  atuar  como  compositor  adicional  no  filme.

“Nos  trabalhamos juntos praticamente em todos os filmes. É uma parceria onde um completa o outro” – Diz Dudu Aram para ao BDCi News.

 

TRAILER: “Operações Especiais” – Lançamento oficial no Brasil em outubro de 2015.

 

 

O compositor trabalhou duro em 2014, onde integrou  a  equipe  de  compositores do longa “Trash”, do diretor Stephen Daldry – que levou o prêmio de melhor filme em linguagem que não inglês, pelo festival de filmes de Roma de 2014. E também recebeu nomeações  para  os  festivais  BAFTA  Awards,  como o filme “Camerimage”.

Para escutar os últimos trabalhos de Dudu Aram clique AQUI.

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