Jovem casada com Joãozinho Trinta cumpriu pena por tráfico

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RIO DE JANEIRO (BDCi) — Gênio na passarela do samba, Joãsinho Trinta casou-se, cerca de um ano antes de morrer, com sua enfermeira, Gláucia Siqueira. Ela tinha 26 anos. Ele, 77. Os dois se conheceram no início de 2010, logo após Gláucia cumprir pena por tráfico — segundo sua advogada, Júlia de Oliveira, ela foi presa depois de guardar drogas para um ex-namorado. Formada no curso de técnico de enfermagem, Gláucia começou a trabalhar na casa do carnavalesco com uma amiga. Segundo a enfermeira, a identificação aconteceu logo de cara:

— Logo depois já ficamos muito próximos, ele freqüentava minha casa, conheceu minha família, tínhamos cumplicidade grande.

Mas se na vida profissional o mestre das alegorias optou por ostentar grandes e polêmicos enredos, na vida pessoal tudo foi feito em segredo. Com a amizade, Gláucia e Joãsinho começaram a compartilhar sonhos e afinidades. A técnica de enfermagem sempre manifestou o desejou — na época praticamente impossível — de começar um curso de Medicina. E foi graças ao mestre das alegorias que Gláucia começou a realizar seus planos. Ainda vivo, o carnavalesco conseguiu uma bolsa de estudos em enfermagem para ela:

— Era um sonho meu, que passou também a ser dele, e que hoje só está sendo realizado graças a Joãosinho e aquele coração enorme.

O pedido de casamento veio logo em seguida e surpreendeu até mesmo a noiva. Sem acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, Gláucia precisou ouvir o pedido duas vezes para aceitar. Os dois se casaram em janeiro de 2011, em Brasília, terra da moça e onde Joãosinho ficou nos últimos meses de vida.

— Ele era uma pessoa muito boa, queria ajudar todo mundo e eu fui agraciada em conhecer e conviver com este professor.

Por Joãosinho ter mais de 70 anos, como manda a lei, o casamento foi em separação total de bens. Entretanto, como não tem herdeiros diretos, os bens do carnavalesco, assim como seus direitos autorais e de imagem, passam a ser de Gláucia. Hoje, ela também recebe uma pensão de mais de R$ 3 mil.

— Ele sabia que era a única forma de me ajudar. Tivemos uma relação de muito carinho, confiança, respeito e amizade um pelo outro.

Um ano após sua morte, Gláucia diz que resolveu aparecer para poder tocar os projetos que eram o sonho do carnavalesco. Ela pretende ajudar a compor sua biografia e começar um projeto social com crianças carentes, maior desejo do mestre.

— Também fiz parte da vida dele, posso colaborar com a história dos seus últimos dias. Ele me ensinou muita coisa, me ajudou muito, agora é minha vez de manter sua memória viva.

Por Ubirata Farias
Fonte: G1.globo.com.br
Foto: 180graus.com
Data: 04 de agosto de 2012

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