Marcha da maconha acaba em confronto com polícia

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SÃO PAULO, Brasil (BDCi) — A Polícia Militar de São Paulo entrou em confronto com cerca de mil manifestantes que participaram da Marcha da Maconha na tarde deste sábado em São Paulo. A Tropa de Choque foi acionada na tentativa de impedir que o grupo caminhasse pela Avenida Paulista rumo à Consolação. Ainda assim, a multidão seguiu pelas ruas e chegou até a Praça Dom José Gaspar no centro da capital.

A manifestação havia sido proibida pela Justiça na véspera, que considerou que o evento faria apologia às drogas. No entanto, cerca de mil pessoas se reuniram no vão livre do Masp para realizar uma passeata pela liberdade de expressão e o direito a debater a legalização e a regulamentação da produção, venda e consumo da droga.

Com a proibição judicial, os organizadores da manifestação haviam combinado com a policia de transformar o ato em um protesto a favor da liberdade de expressão. As referências à maconha foram apagadas de cartazes e cobertas com fita adesiva preta nas camisetas. Pouco depois das 14 horas, os manifestantes foram informados pela polícia que não poderiam seguir em passeata rumo à Praça Roossevelt, como haviam planejado. A polícia tentou conter os manifestantes no Masp, mas após a prisão de Lucas Gordon, acusado de fazer apologia à droga, a multidão avançou e ocupou a pista da Avenida Paulista sentido Consolação.

A Tropa de Choque seguiu atrás do grupo ao longo de todo o trajeto, disparando balas de borracha, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e gás pimenta contra a multidão. Entre os presos, está um dos organizadores da marcha, Julio Delmanto, detido por ordem do capitão Del Vecchio. Ao ver o Choque marchar, Delmanto tentou conversar com o capitão, agumentando se era a repressão era necessária. Em resposta, o policial lhe deu voz de prisão.

Uma nova manifestação, desta vez contra a violência e a repressão policial, além de a favor da liberdade de expressão foi convocada para o próximo sábado, 28 de maio, com concentração no vão livre do Masp às 14 horas.

“A atitude da polícia foi um total absurdo. Foi feito um acordo com a PM que foi descumprido na última hora”, disse Renato Cinco, sociólogo, um dos organizadores da Marcha da Maconha no Rio.

Antes do confronto com a PM, um grupo chamado Ultra Defesa, contrário à legalização da droga, chegou a se posicionar em frente aos manifestantes no Masp. Com um cordão de isolamento, policiais impediram o confronto entre os dois grupos.

By: Staff Writer
Source: O Globo
May 21, 2011

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