Violência no Maranhão reflete em andamento da Copa

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RIO DE JANEIRO (BDCi News) — Desde o início de janeiro deste ano, uma onda de violência vem acontecendo em São Luís, no Maranhão, e chocando a população brasileira às vésperas da Copa. Mas o caso que mais chamou a atenção foi o de Ana Clara Souza, 6 anos de idade. A menina estava acompanhada de sua mãe, Juliane Souza, e a irmã de 1 ano, Lorane, em um dos ônibus incendiados naquele dia, em uma rua da periferia da capital maranhense.

Da prisão de Pedrinhas, partiu a ordem para que bandidos atacassem ônibus em circulação na cidade em represália à entrada da Polícia Militar na cadeia depois de mais uma rebelião sangrenta. Ana Clara estava no local errado, na hora errada. Câmeras de seguranças gravaram o momento em que o ônibus foi incendiado e a menina é flagrada tentando sair do ônibus totalmente absorta com o corpo em chamas. Ela morreu dois dias depois, com 95% do corpo queimado na UTI pediátrica do Hospital Estadual Juvêncio Matos. A mãe, que teve 40% do corpo queimado, e a irmã continuam internadas em estado grave.

Ana-Clara

Ana Clara, 6 anos, vítima do ônibus incendiado.

Esse e mais outros atos de violência não são casos esporádicos da situação crítica maranhense, pelo contrário, o estado vai de mal a pior. “O Maranhão vai muito bem”, diz Roseana Sarney, governadora do Maranhão, três dias depois da barbárie. “Um dos problemas que estão piorando a segurança é que o estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes”, e ainda complementou com o que houve em Pedrinhas foi “inexplicável”. O fato é que Roseana estava mais que equivocada ao alegar que o Maranhão estava indo bem. O estado, que é governado pela família Sarney há cinco décadas, é o estado brasileiro com o segundo pior índice de analfabetismo, segunda maior taxa de mortalidade infantil e a pior renda per capita do país. Realmente, o Maranhão vai muito bem! Essa taxas justificam ainda a atrocidade que aconteceu naquele dia 3 de janeiro que tirou a vida de Ana Clara Souza, indefesa e vulnerável ao que estava acontecendo ao seu redor. Na reportagem de Tiago Eltz, o Jornal Nacional mostrou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão cresceu 15,3% entre 2010 e 2011. Percentual cinco vezes maior que a média nacional no período: 2,7%. Mas também revelou que esses crescimento ainda não se refletiu nos indicadores sociais. O Maranhão ainda tem a pior expectativa de vida do Brasil e que 90% dos moradores não possuem acesso à rede de esgoto. Roseana, de fato, estava certa ao dizer que o estado está mais rico, com exceção de mencionar que esta riqueza está concentrada a uma minoria maranhense.

A reportagem da Revista Veja, edição 2356, percorreu cinco das oito unidades do complexo  de Pedrinhas– com capacidade para 1500 presos e população de 2700. Segundo a revista, o domínio e facções criminosas e as condições nos presídios tornaram as mortes violentas uma constante na última década; o Brasil é o sétimo no ranking mundial da superlotação, uma queixa presente em todas as revoltas.

O fato é que, talvez o Brasil esteja se preparando demais para o evento da Copa – ou não-, para receber turistas do mundo inteiro, e esquecendo de cuidar do principal, seus cidadãos brasileiros. O país é uma das maiores extensões territoriais do planeta com ampla variabilidade climática e diversidade natural, com riquezas minerais, e também na fauna e na flora nativa. Tanta beleza incapaz de cobrir tanta injustiça e desgoverno. Até quando o país empurrará mais sujeira para debaixo do tapete para mostrar bonito aos que vem de fora? Estará ele pronto para sediar um evento tão grandioso como a Copa do Mundo deste ano e as Olimpíadas de 2016? O que nos resta é esperar. Esperar para ver.

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